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RATS E O CONTROLE REMOTO INVISÍVEL
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2026-09-10

Existe uma invasão que não quer apenas roubar um arquivo e desaparecer. Ela quer
ficar. Quer assistir à tela, registrar o que você digita, abrir pastas, mover o
mouse e esperar a hora certa de agir. Esse é o RAT, sigla de Remote Access
Trojan, ou trojan de acesso remoto.

OBS: Links para tabela cronológica da minha pesquisa. [1]

O CERT.br o descreve como a combinação de um cavalo de Troia com uma porta dos
fundos. Primeiro vem o engano que coloca o programa dentro do aparelho. Depois
fica aberto um canal para o criminoso voltar. A diferença mais incômoda está aí:
muitas ações não são decididas pelo malware. Existe uma pessoa do outro lado
observando o contexto e escolhendo o próximo passo.

Isso muda a natureza do ataque. Um código automático procura arquivos, senhas ou
carteiras de criptomoedas seguindo regras. Um operador consegue esperar você
abrir o banco, montar uma tela falsa naquele instante, esconder uma transação e
mudar a abordagem se perceber que alguma coisa deu errado.

Nem todo acesso remoto é RAT
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O nome costuma ser usado para situações diferentes. Separar as categorias evita
alarmismo e ajuda a entender o risco real.

Categoria

O que define

Exemplos

RAT malicioso

Entra
sem consentimento, tenta se esconder e entrega controle ao invasor.

BRATA,
JanelaRAT, BTMOB

Ferramenta legítima abusada

O
programa é normal, mas a conta ou a sessão foi obtida por fraude.

AnyDesk,
TeamViewer, RustDesk, RDP, VNC

Banker com controle remoto

O
objetivo principal é a fraude bancária, mesmo com tela, teclado e mouse
remotos.

Grandoreiro,
Janeleiro, Maverick

A pergunta mais útil é simples: eu pedi esse acesso, sei quem está conectado e
consigo encerrar a sessão? Se a resposta for não, o nome técnico vira detalhe.
Já existe um incidente.

O que muda quando há alguém operando
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Um RAT pode reunir captura de tela, registro de teclas, câmera, microfone,
localização, leitura de notificações, cópia de arquivos e execução de comandos.
Nem toda família possui todas essas funções, mas o princípio é o mesmo. O
aparelho deixa de responder apenas ao dono.

Em fraude bancária, o operador não precisa adivinhar o momento certo. Ele pode
ver quando a pessoa entra no aplicativo, cobrir a tela com uma camada escura,
mostrar uma janela falsa e operar por baixo. Em espionagem, pode buscar uma
pasta específica, selecionar conversas e ativar sensores. Em uma empresa, pode
usar a primeira máquina como entrada para alcançar contas e sistemas internos.

O perigo também não termina quando a janela de suporte fecha. Se o invasor
instalou outro componente, criou uma inicialização automática ou roubou
credenciais, desinstalar o programa visível não resolve tudo.

Como o golpe chega até o controle
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Os casos brasileiros mudam de embalagem, mas repetem uma cadeia conhecida. A
isca pode ser uma cobrança, um documento fiscal, uma falsa atualização, um
benefício do governo, um arquivo enviado pelo WhatsApp ou uma ligação do suposto
suporte do banco.

Depois vem a ação da vítima. No computador, aparecem ZIP, LNK, MSI, scripts ou
páginas que mandam abrir o Executar e colar um comando. Esse truque é chamado de
ClickFix. No Android, a isca tenta levar a um APK falso e pede acesso à
Acessibilidade, leitura de notificações, sobreposição de tela ou instalação de
outros aplicativos. No falso suporte, a própria pessoa instala uma ferramenta
remota legítima e entrega o código da sessão.

Quando o programa consegue executar, ele tenta continuar disponível. Pode criar
uma entrada de inicialização, instalar um serviço, esconder uma janela ou manter
uma conexão periódica com o servidor de comando e controle. Só então o operador
recebe a tela, os comandos e os dados necessários para agir.

Título: Figura 1. A cadeia resume comportamentos recorrentes. Uma campanha pode
pular etapas, trocar ferramentas ou combinar malware com software legítimo. -
Descrição: Fluxo horizontal em cinco etapas: isca, execução, permissão, presença
persistente e controle remoto. Cada etapa lista exemplos como WhatsApp, arquivo
ZIP, Acessibilidade, inicialização automática e fraude ao vivo.

Figura 1. A cadeia resume comportamentos recorrentes. Uma campanha pode pular
etapas, trocar ferramentas ou combinar malware com software legítimo.

O que trinta anos de nomes revelam
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O PDF que serve de base para esta pauta reuniu 300 famílias e ferramentas
associadas a acesso remoto entre 1989 e 2018. A própria autora trata a lista
como uma amostra curada, não como um censo de todos os RATs existentes. O ano de
2018 também estava incompleto.

Mesmo com esses limites, a distribuição é reveladora. Dos 300 itens, 217
aparecem a partir de 2010. São 72% da amostra. Isso não prova que 72% de todos
os RATs nasceram naquele período. Mostra que a parcela mais densa do catálogo
está concentrada nos anos em que construtores, painéis, código reaproveitado e
venda de acesso tornaram esse tipo de ferramenta mais fácil de obter e operar.

Título: Figura 2. Distribuição dos 300 itens da terceira versão do estudo. A
amostra é curada, não exaustiva, e 2018 estava incompleto. - Descrição: Gráfico
de colunas com a quantidade de famílias e ferramentas de acesso remoto
catalogadas em seis períodos entre 1989 e 2018. O período de 2010 a 2014
concentra 132 dos 300 itens.

Figura 2. Distribuição dos 300 itens da terceira versão do estudo. A amostra é
curada, não exaustiva, e 2018 estava incompleto.

A história não é apenas de crescimento numérico. Os alvos e os dispositivos
mudaram. O RAT saiu do computador doméstico e chegou ao celular, ao ambiente
corporativo e à fraude financeira operada ao vivo. Também virou serviço. Quem
compra um kit pronto não precisa dominar cada parte do código para espionar ou
controlar uma vítima.

No Brasil, o controle remoto encontra o dinheiro
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O próprio CERT.br usa como exemplo o controle interativo durante uma sessão de
Internet Banking. Não é por acaso que tantos casos observados no país misturam
RAT, trojan bancário e suporte remoto fraudulento.

Em 2019, o BRATA mostrou como esse risco funcionava no Android. Uma das
campanhas usava uma falsa correção do WhatsApp. O aplicativo abusava da
Acessibilidade para monitorar a tela, capturar credenciais, ler mensagens e
ganhar controle amplo do celular. Ele apareceu até no Google Play, lembrando que
loja oficial reduz o risco, mas não substitui atenção ao desenvolvedor e às
permissões solicitadas.

Em 2021, a ESET documentou o Janeleiro, direcionado a usuários corporativos no
Brasil. Ele observava janelas do navegador e permitia que o operador
apresentasse telas bancárias falsas sob demanda. O nome se parece com JanelaRAT,
mas são famílias diferentes. Janeleiro é banker. JanelaRAT é um RAT financeiro
documentado anos depois.

O Grandoreiro ajuda a enxergar essa zona de contato. Ele é um trojan bancário,
não um RAT genérico, mas oferece ao operador bloqueio da tela, registro de
teclas, simulação de mouse e teclado e pop-ups falsos. Em janeiro de 2024, a
Polícia Federal realizou uma operação contra sua infraestrutura com apoio
técnico da ESET.

Há também ataques sem RAT na primeira etapa. A Mandiant investigou um grupo que
telefonava para funcionários de empresas brasileiras fingindo ser o suporte de
TI. A vítima instalava AnyDesk e entregava o acesso. Em outras cadeias, o grupo
usou ferramentas de gerenciamento remoto e também malware. A mesma operação pode
combinar software legítimo, credenciais roubadas e backdoor.

O WhatsApp virou outro atalho. Em outubro de 2025, a Kaspersky bloqueou 62 mil
tentativas de infecção do banker Maverick no Brasil durante os dez primeiros
dias da campanha analisada. O arquivo ZIP vinha de contas comprometidas,
iniciava uma cadeia no Windows e ainda tentava sequestrar o WhatsApp para
continuar se espalhando. Isso é telemetria de uma empresa, não 62 mil pessoas
infectadas.

Em 2026, o cenário continuou chegando por caminhos familiares. O CTIR Gov
alertou sobre páginas falsas ou comprometidas que imitavam serviços
governamentais e distribuíam malware. Também descreveu páginas do tipo ClickFix,
que mandavam a vítima copiar um comando para o Windows. No celular,
pesquisadores encontraram o BTMOB em uma campanha voltada ao Brasil. O RAT era
distribuído por páginas falsas e aplicativos maliciosos, capturava tela,
coletava dados e assumia o aparelho.

No mesmo período, a Kaspersky informou que sua telemetria havia registrado
14.739 ataques ligados ao JanelaRAT no Brasil em 2025. Novamente, ataque
detectado não é sinônimo de vítima única, infecção concluída ou total nacional.

Título: Figura 3. A linha histórica e os casos brasileiros foram separados para
não confundir uma amostra mundial com incidência nacional. - Descrição: Linha do
tempo em dois trilhos. O primeiro resume o catálogo histórico de Veronica
Valeros. O segundo reúne BRATA em 2019, Janeleiro em 2021, a operação contra
Grandoreiro em 2024, a telemetria do JanelaRAT em 2025 e o BTMOB em 2026.

Figura 3. A linha histórica e os casos brasileiros foram separados para não
confundir uma amostra mundial com incidência nacional.

O tamanho do problema que não sabemos medir
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O Brasil aparece repetidamente em pesquisas de segurança, campanhas direcionadas
e operações policiais. Isso é evidência de atividade, não uma taxa nacional de
RAT.

As bases públicas consultadas do CERT.br e da Polícia Federal trabalham com
categorias mais amplas. Elas não oferecem uma série exclusiva capaz de responder
quantos RATs infectaram brasileiros ou quanto esse tipo de ataque cresceu. As
notificações do CERT.br são voluntárias, e os números de empresas de segurança
dependem da base de clientes e dos produtos que cada uma consegue observar.

Por isso, detecção, tentativa, ataque e vítima não podem ser trocados como se
fossem a mesma coisa. Um aparelho pode gerar várias detecções. Uma tentativa
bloqueada pode não produzir infecção. Uma campanha estudada no Brasil não
representa todas as campanhas em circulação.

Essa limitação não enfraquece o alerta. Ela só impede que uma ameaça real seja
explicada com estatística inventada.

Sinais que merecem atenção
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Cursor se movendo sozinho, tela preta durante o uso do banco, câmera ou
microfone ativados sem motivo, aplicativo desconhecido com acesso à
Acessibilidade e mensagens enviadas pelo próprio WhatsApp são sinais
importantes. Também vale desconfiar de ferramenta remota instalada depois de uma
ligação não solicitada de banco, governo ou suporte.

Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma um RAT. Uma falha de driver pode
mexer com a tela. Um aplicativo legítimo pode usar Acessibilidade. O diagnóstico
vem do conjunto: instalação inesperada, permissões amplas, conexão remota,
alteração de conta e comportamento que a pessoa não iniciou.

Em empresas, a investigação precisa olhar a sequência. Um agente remoto novo,
seguido por inicialização automática, conexão externa longa e abertura de
PowerShell ou Prompt de Comando, é mais significativo do que um executável
isolado. Ferramentas portáteis também importam, pois podem funcionar sem uma
instalação tradicional.

O que fazer quando a suspeita aparece
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1\. Interrompa a conexão.

Desligue Wi-Fi, cabo e dados móveis. Isso corta o canal de controle,
embora não remova o malware.

**2\. Pare de usar o aparelho
para dinheiro ou senhas.**

Não abra o banco e não tente testar se está tudo normal. Use outro
dispositivo confiável para falar com a instituição e trocar as credenciais
mais sensíveis.

**3\. Preserve o que ajuda a
entender o incidente.**

Guarde mensagens, números de telefone, nomes de arquivos, horários e
comprovantes. Em uma empresa, acione TI ou segurança antes de formatar.
Apagar tudo pode destruir registros úteis.

**4\. Encerre acessos remotos
conhecidos.**

Revogue sessões, troque senhas e remova a ferramenta instalada por
orientação do golpista. Considere que outro componente pode ter ficado no
sistema.

**5\. Limpe ou reinstale com
segurança.**

Antimalware pode identificar parte da cadeia, mas uma máquina
comprometida nem sempre merece confiança depois de uma remoção simples.
Dependendo do caso, restaure um backup confiável ou reinstale o sistema.

6\. Avise quem precisa agir.

Banco, empresa, provedor e autoridades podem bloquear contas,
preservar registros e reduzir o dano. Incidentes de rede também podem ser
notificados ao CERT.br.

Prevenção sem transformar tudo em medo
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Não abra ZIP, LNK, MSI, APK ou correção urgente só porque chegou de um
conhecido. A conta dele pode ter sido comprometida. Confirme por outro canal.
Feche páginas que mandam pressionar Win+R, colar um comando ou abrir PowerShell
para provar que você não é um robô.

No Android, confira o desenvolvedor e trate Acessibilidade, sobreposição de
tela, leitura de notificações, câmera, microfone e instalação de outros apps
como permissões de alto impacto. No computador, mantenha sistema, navegador e
antimalware atualizados. Ative autenticação em duas etapas nas contas
importantes.

Em empresas, ferramentas remotas precisam de inventário, responsáveis e regras.
Permitir apenas soluções aprovadas, exigir autenticação forte, limitar
privilégios, registrar sessões e monitorar conexões torna o abuso mais visível.
O treinamento também deve incluir falso suporte, WhatsApp e ClickFix, não apenas
o velho anexo de e-mail.

O ponto central é simples. RAT não é apenas software malicioso. É presença
humana escondida dentro do aparelho. A defesa começa quando tratamos anexos,
comandos copiados, permissões e pedidos de acesso remoto como decisões de
segurança, não como etapas banais de suporte.

Referências reunidas no fim para manter a leitura limpa.

• Veronica Valeros e Stratosphere Laboratory. A Study of RATs e Third Timeline
Iteration. [2]

• CERT.br. Códigos Maliciosos, Cartilha de Segurança para Internet. [3]

• CERT.br. Servidor de comando e controle de RAT. [4]

• CERT.br. Estatísticas de Incidentes. [5]

• Polícia Federal. Dados Estatísticos de Combate a Crimes Cibernéticos. [6]

• GSI. Orientação sobre segurança em soluções de acesso remoto. [7]

• CTIR Gov. Recomendação 02/2026. [8]

• CTIR Gov. Recomendação 03/2026. [9]

• CISC Governo Digital. Malware utilizando WhatsApp. [10]

• ENCCLA. Fraude do falso técnico e abuso de software de acesso remoto. [11]

• MITRE ATT&CK. Remote Access Software, T1219. [12]

• Kaspersky. BRATA: RAT Android observado inicialmente no Brasil. [13]

• ESET Research. Janeleiro: trojan bancário direcionado a usuários corporativos
no Brasil. [14]

• ESET Research. Operação contra o trojan bancário Grandoreiro. [15]

• Google Cloud e Mandiant. BREEZE COMET targets Brazil. [16]

• Kaspersky GReAT. Maverick banker distributing via WhatsApp. [17]

• Kaspersky GReAT. JanelaRAT: a financial threat targeting users in Latin
America. [18]

• ESET Research. BTMOB: A stealthy RAT burrowing deep into Android devices. [19]

Links:
  [1] https://docs.google.com/spreadsheets/d/1n-Kcy6Zx8VUTcSNqpvSUOjs0LgxLwzNk/edit?usp=sharing&ouid=110684994371351282830&rtpof=true&sd=true
  [2] https://stratosphere-ips.squarespace.com/a-study-of-rats
  [3] https://cartilha.cert.br/fasciculos/codigos-maliciosos/fasciculo-codigos-maliciosos.pdf
  [4] https://www2.cert.br/docs/notificacoes/
  [5] https://stats.cert.br/incidentes/
  [6] https://www.gov.br/pf/pt-br/acesso-a-informacao/estatisticas/diretoria-de-combate-a-crimes-ciberneticos-dciber/dados-estatisticos-de-combate-a-crimes-ciberneticos-1
  [7] https://www.gov.br/gsi/pt-br/seguranca-da-informacao-e-cibernetica/osic/osic-12-2023/
  [8] https://www.gov.br/gsi/pt-br/assuntos/ctir/recomendacoes/2026/recomendacao-02-2026
  [9] https://www.gov.br/gsi/pt-br/assuntos/ctir/recomendacoes/2026/recomendacao-03-2026
  [10] https://www.gov.br/cisc/pt-br/alertas-de-golpes-digitais/malware-utilizando-whatsapp
  [11] https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-protecao/lavagem-de-dinheiro/enccla/acoes-enccla/arquivos-enccla-2025/e2025a01-acao-1-enccla-2025-produto-1.pdf
  [12] https://attack.mitre.org/techniques/T1219/
  [13] https://www.kaspersky.com.br/blog/trojan-brasileiro-brata-espionar-smartphone-klsec/12251/
  [14] https://www.welivesecurity.com/br/2021/04/14/janeleiro-novo-trojan-bancario-direcionado-a-usuarios-corporativos-no-brasil/
  [15] https://www.welivesecurity.com/pt/pesquisas/eset-participa-de-operacao-global-para-desarticular-o-trojan-bancario-grandoreiro/
  [16] https://cloud.google.com/blog/topics/threat-intelligence/financially-motivated-threat-actor-breeze-comet-targets-brazil
  [17] https://securelist.com/maverick-banker-distributing-via-whatsapp/117715/
  [18] https://securelist.com/janelarat-financial-threat-in-latin-america/119332/
  [19] https://www.welivesecurity.com/en/malware/btmob-stealthy-rat-burrowing-deep-android-devices/


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