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MEMÓRIAS BINÁRIAS – PARTE II
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2026-09-11

Delphi foi uma alegria incrível naqueles meus primeiros anos como programador, e
eu amava o pouco que sabia. Era o suficiente para ganhar elogios de adultos que
nitidamente não entendiam nada do que eu estava fazendo, e menos ainda do que
estavam vendo.

Mas funcionava.

Eu tinha um amigo de infância chamado Daniel. Bem, ainda somos amigos, mas mais
distantes, devido a termos crescido e vivermos basicamente cada um em um extremo
do país. Gosto de pensar que nos vemos a cada pandemia. E é legal, pois parece
que nos vimos ontem pela última vez.

Daniel seguiu seu rumo como economista. E eu segui meu rumo, extremamente
obscuro até então. Mas, na época, adorávamos revistas de hacker que vendiam no
Brasil. Ao mesmo tempo, eu já vivia em redes de IRC, operando firmemente como
‘op’ em canais e até como NetAdmin em umas redes malucas e como IRCop em outras.

Em paralelo, meu amigo Daniel e eu comprávamos revistas em bancas, pois a
internet da USRobotics já não era mais suficiente, e essas revistas vinham com
diversos softwares. Uma grande memória da Revista Hacker.

Revista H4ck3r

E não só ela: havia Top Hacker, H4ck3r (da Digerati), Digerati Hacker,
Universidade Hacker e também uma das minhas favoritas, que era a Geek.

E foi através da Revista Hacker que li a palavra: Sub7. Poucos devem se lembrar
desse RAT, que era o terror do IRC e do ICQ. Um trojanzinho de ‘brincadeira’ que
tornava incrível invadir pessoas; depois de ter em mãos, o negócio era ir atrás
do famoso ‘Joiner’, que muitas vezes era nada mais que um script para fundir
dois arquivos.

Ou seja, você pegava o .exe e colocava em .jpg, mas isso era uma enganação. Só
trocava o ícone. Mas já nos dávamos como satisfeitos.

Revista Geek

A infame revista Geek de que tanto falei, onde tinha meus softwares favoritos...

Daniel e eu éramos os reis dos RATs, adorávamos ‘trollar’ as pessoas, as mais
diversas, e os RATs, como Sub7, Back Orifice e Netbus, são um pouco antecessores
de outra ferramenta que usei muito nos anos 2000: os keyloggers.

Falarei mais dos keyloggers talvez em outro capítulo.

Então em 1999, eu conheci o Leo Louco.

Um gênio que veio parar na minha cidade depois de algum acidente maluco, que
contava histórias de ter arrumado notebook na floresta embaixo de chuva
torrencial. O Leo é uma criatura extraordinária, mente incrível, extremamente
acelerada, e foi, por um ou dois meses, meu professor. Não mais que isso, porque
ninguém aguentava passar mais tempo com ele. Mas sim, ele é uma boa pessoa.

Usando seus óculos e ensinando ao Daniel e a mim, desde 1999, os princípios e
valores do Software Livre, coisa que devo confessar que desprezei até 2016. Mas
também falarei disso em outra oportunidade.

O Grande Leo

Leo era tão bizarro. Mas tão bizarro que, em nossas primeiras aulas, ele me
colocou na cadeira do seu laboratório e disse as palavras que, na época, soaram
como mágica. Ele disse: você irá aprender SLACKWARE.

Imagine alguém dizendo isso devagar e de forma confiante. Eu fiquei apavorado;
não sabia o que era, apenas que era Linux, mas não tinha noção do quão difícil
era.

E a primeira lição foi construir um drive para modem... e para Slackware.

Continua...


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